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Grandes Mulheres: Kcal GorDivah


Com enorme satisfação apresento a vocês, Claudia, uma mulher especial, não por que curti um bom rock n roll como eu (risos), mas pela sua história de vida, sua luta contra o preconceito e principalmente a vitória contra o câncer. Um dos seus passatempo é escrever em seu blog, onde relata o seu dia a dia etc, no qual estou sempre acompanhando. Por isso, lhe fiz este convite especial para falar um pouco dessa sua nada mole vida.


Sou Queen Size, blogueira por inspiração e uma sobrevivente do câncer, acho que são minhas características mais marcantes e relevantes para o que tenho a dizer hoje. Fiquei extremamente lisonjeada quando me convidaram para escrever um pouco da minha história de superação para o 'GG Premium'. Se este texto ajudar pelo menos uma mulher a ser mais feliz consigo mesma, já estarei super feliz.

Eu costumo brincar dizendo que sou 'Queen' porque 'Plus Size' é um termo pequeno para mim, já que por mais que a definição sinalize alguém fora dos padrões, por ser muito abrangente, acho que não me encaixo bem nele, já queen size, parece simplesmente perfeito para mim, tamanho majestoso, de rainha! Contudo, apesar de hoje adorar ser quem sou, nem sempre eu me amei e aceitei meu tamanho. Eu já sofri de bulimia, anorexia, quando pesava 100 quilos emagreci quase 40, detonando minha saúde para ficar magra e ser aceita pela sociedade. Achei que assim enfim eu seria feliz, amada, aceita e enfim estaria satisfeita comigo mesma, mas, me enganei. É claro que fui muito assediada, todos os meus amigos quiseram ficar comigo, foi muito mais fácil achar roupas, etc... Mas quando tudo isso aconteceu, eu fiquei triste porque, no fundo eu era a mesma mulher, de riso fácil, de bem com a vida, nerd e louca por rock and roll... eles só me desejavam por causa da minha casca. E eu não queria ter alguém assim ao meu lado.

Então eu consegui vencer a anorexia, bulimia e aos poucos voltei a engordar, e o mundo caiu em cima de mim por causa disso, mas não liguei. Após a morte da minha avó e do meu pai eu engordei uns 50 quilos, foi quando alcancei meus 3 dígitos de novo e onde tenho permanecido desde então. E nessa época eu ainda não me amava, não enxergava minha beleza e vantagens em ter porte majestoso e só ouvia: ninguém nunca vai amar, desejar uma gorda igual a você. Eu chorava e enchia a cara de comida e quanto mais me falavam para não comer, mais eu comia. Até que um dia parei de usar a comida como refúgio, ativei meus escudos defletores e gritei pro mundo: Sou gorda sim e se você não aprova problema seu! Mas eu ainda não me amava.

Eu fazia dietas e não emagrecia muito, fui a médicos e nada dava certo. Na época eu não sabia que estava com um câncer raro, maligno, neuroendócrino que me fazia engordar e ter crises de tempos em tempos. Não sabia que o câncer estava destruindo meu apêndice, tomando meu intestino grosso e aos poucos inflamando meus órgãos e por fim inflamando meus pulmões. Nem os médicos sabiam, pois tudo que viam era uma gorda que precisava emagrecer. O câncer só foi descoberto quando meu abdômen já estava todo inflamado por dentro, meus pulmões comprometidos e meu apêndice dilacerado. Fui operada às pressas, mas até então era só uma crise de apendicite, quase morri na cirurgia, pois não conseguia respirar... Ainda no centro cirúrgico, após a cirurgia o anestesista me dizia para emagrecer.

Na consulta com o cirurgião, veio o diagnóstico, mais ou menos assim: você está com câncer porque é gorda... Que ódio me deu aquilo! E fui para a segunda cirurgia, para retirar o resto do câncer e devo dizer que neste meu momento mais escuro, mais difícil, foi quando eu comecei a dar a volta por cima. Eu brinco com meus amigos e família dizendo que hospital tira toda a sua dignidade, você perde tudo lá. Todo mundo te vê pelada, te dão banho, verificam sondas, trocam fraldas, etc. E para uma mulher obesa que não se ama, ficar pelada na frente de uma galera desconhecida não é bolinho não! Mas foi o que precisei encarar, e quando vi que ninguém saiu correndo com os olhos sangrando e dizendo: Meus olhos! Meus olhos! Eu ri comigo mesma e fui em frente como se ninguém estivesse ali, como se eu fosse à mulher mais confiante do mundo andando peladona na frente de uma plateia.

O hospital, apesar de realizar cirurgias de redução de estômago, não possuía cadeira higiênica para obesos, pois trouxeram uma em que eu não ia caber mesmo, eu não aguentei e comecei a rir, eu ria e apontava para a cadeira, as enfermeiras que antes me olhavam como coitadinha, agora estavam sem graça, ficaram me olhando com vontade de rir quando eu disse, minha bunda não cabe aí não... kkkkk. E foi assim que eu aprendi a desconsertar o mundo, falando francamente, com muito bom humor e orgulho sobre minha obesidade. Ali nascia um monstro de confiança e amor próprio que nunca mais se esconderia e calaria diante do mundo magro.

Durante minha licença médica eu lutei para recuperar minha saúde e me reconstruir, procurei blogs, artigos e vi que faltava alguém que se amasse de fato mesmo, do jeitinho que era, alguém que não ficasse mascarando que no fundo não se aceitava, não estava satisfeita consigo mesma, alguém que não ficasse falando em dietas de emagrecimento e como era ruim ser gorda. Vi muitas gordinhas caindo de pau em cima de obesas e aquilo me instigou, me provocou e ali nasceu esta que vos escreve Kcal GorDivah. Comecei a escrever, enviei um texto para o Gordinhas Maravilhosas, eles gostaram, escrevi outro, eles amaram, e fui convidada para escrever uma coluna! Acabei começando meus dois blogs, um em inglês outro em português e desde então venho dividindo meus pensamentos e tentando ajudar mulheres gordinhas ou obesas a se aceitarem como são a enxergarem que são belas e desejáveis!

VIDA NOVA

Nunca tive intenção de ser modelo plus size, não entendo muito de moda e para ser bem sincera, até pouco tempo atrás eu fugia de tirar foto a qualquer custo. Mas, tudo mudou depois que eu tive câncer há 2 anos praticamente e a partir daí eu comecei a mudar e muito por dentro...

Um tempo atrás uma amiga minha modelo plus size, me convidou para participar do Dia de Modelo mas na época não pude e quando vi as fotos dela fiquei encantada e decidi, no próximo ano vou participar!

Com muito frio na barriga e meio sem jeito por me achar grande demais em relação as participantes das edições anteriores, decidi participar e posso dizer sem sombra de dúvida que foi um dos meus melhores dias de 2013! A equipe toda nos deixou super à vontade, os acessórios, sapatos, roupas eram lindos! E ainda que muitas ali já se conhecessem, rapidinho me senti como parte da turma.

Eu amei as fotos, embora eu não tenha mínima intimidade com as câmeras, nem saiba fazer poses ou carão, me senti uma Diva linda! Fiquei super travada para tirar as fotos, não sabia direito como fazer as poses, mesmo com orientação das fotógrafas rs.... pode não parecer mas sou tímida, embora seja muito simpática(bom pelo menos é o que sempre me dizem né kkk). Foi um boom gigantesco na minha autoestima e um desafio para vestir e exibir meu corpo como diariamente não faço. Por exemplo, usar decote é uma coisa que não faço todo dia e quando uso, é um micro decote, mas já que estava lá decidi me jogar na experiência e no terceiro look criei coragem para usar uma roupa sugerida pela Cris Miranda, um macacão. Gente, acho que só tinha usado macacão quando bebê, mas resolvi vestir para ver como ficaria e o resultado está aí embaixo, acabei criando coragem para tirar as fotos e acabei até rindo, acho que de nervoso...


Eu me incomodo muito em ver mulheres sofrendo como sofri. Por este motivo, faço um apelo meninas, parem de se enxergar com os olhos dos outros, achar que a imagem que fazem de você define quem você realmente é, porque isso não é verdade! Você é quem você quiser e aceitar ser! Você não deveria precisar ouvir de ninguém que é linda, para enfim enxergar que é maravilhosa! Pare de esperar que os outros digam quem você deve ser e seja quem você realmente é! Sabe, se eu fosse esperar alguém me dizer que sou linda, maravilhosa e uma razão e tanto para alguém sorrir para enfim acreditar nisso, eu nunca teria descoberto o quão especial sou, pois ninguém nunca me disse isso. Mas, só porque ninguém nunca disse isso, não quer dizer que não saibam disso. Não é fácil para pessoas magras encararem uma obesa mais confiante e satisfeita consigo mesma do que elas jamais foram. As pessoas simplesmente não entendem isso! Já me perguntaram no meu blog, como eu poderia me amar se era verdade mesmo e como eu conseguia isso sendo quem sou... Isso me detonaria algum tempo atrás, mas não hoje!

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Somos grandes mulheres, dotadas de beleza rubenesca, com um brilho de Botero e perfeitas exatamente como somos! Nunca permitam que ninguém, nada, as faça duvidar que merecem ser felizes, amadas, respeitadas e desejadas. Deixo abaixo meus contatos para quem quiser ler mais textos meus, entrar em contato ou perguntar algo.


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ATENÇÃO! "Algumas informações e sugestões contidas nesta página são compartilhadas de outros meios de comunicação, bem como blogs, sites, jornais e revistas impressas. As dicas têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento de médicos, nutricionistas, psicólogos e outros especialistas."


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