Welcome Guest!

,

A difícil arte de ser gorda(o)



Todo tempo tem seu tempo. Hoje, existem no mundo vários milhões de obesos, ou melhor, de gordinhos. Seriam seres humanos normais, não fosse o preconceito. Com o preconceito, suas vidas são, a cada dia, mais difíceis. Têm que trabalhar e lutar pelo “pão de cada dia” como qualquer outro cidadão. Mas, não são tratados de maneira igualitária nesta batalha pela sobrevivência. São criticados, discriminados, segregados sem o menor pudor. Nada os protege do preconceito. Se fossem negros, mulheres, homossexuais, teriam a proteção da lei; mas como gordos, são deixados à sanha das multidões. Se vão à procura de um emprego são metidos na balança como se fossem porcos, e sua competência é julgada pelo peso. Ao final, ouvirá de uma psicóloga do departamento pessoal: “você tem um índice de massa corporal de 35, não podemos contratá-lo”. Nem chegam a indagar-lhe a competência. No geral o gordo sai dali cabisbaixo, entristecido e pensando: “reclamar pra quem?” Para o bispo, alguém lhe dirá.

Desnecessário dizer: sou um deles, mas não estou chorando. Outro dia participei de uma reunião de “gordinhos”. Era o único homem do grupo. Saí de lá contente, pois vi que de todos eu era o que menos sofria. Assustei-me com a angústia de minhas colegas de reunião. Elas eram cinco, muitas delas lindas mulheres com alguns quilinhos a mais. Fiquei calado observando o desabafar de cada uma. Ainda recordo-me do cenário: na nossa frente uma psicóloga morena, alta, esbelta, com pouco mais de 30 anos. Lado a lado, os gordinhos que começaram o desabafo. Estávamos sentados em círculo e corria-se a roda da direita para a esquerda. A primeira a falar foi uma moça de 26 anos, loura, dona de um lindo rosto:

– Há três anos não saio de casa. Morro de vergonha de ir aos lugares onde todos vão. Há tempos não vou ao supermercado, à padaria, ao cinema etc.

A vez da segunda:

– Tenho um filho de 4 anos. Nunca tirei uma foto ao seu lado. Tenho horror à foto. Quando me vejo, pareço-me com um monstro...

A seguinte:

– Minhas roupas estão acabando. Não tenho coragem de ir a uma loja. Quando vou, a resposta é sempre a mesma: não trabalhamos com GG.

Uma outra:

– Eu estava querendo namorar um moço. Tinha uma amiga que era colega dele. Pedi-lhe que intermediasse o namoro. Ela perguntou-lhe: “O que você acha da Sílvia (nome fictício). Ele lhe respondeu: “a Silvia é boazinha, depois das 4 da manhã, com muita cerveja na cabeça dá para enfrentar”.

E assim, correu-se a roda. Claro que se falou muitas outras coisas. Esse é só um pequeno retrato de nossa reunião de “gordinhos”. Saí do encontro refletindo na complexidade do ser humano. Pensei na carta das Nações Unidas afirmando que todos nós somos iguais e temos uma série de direitos inalienáveis, dentre eles o de buscar a nossa felicidade. Percebi que não vale a carta da ONU, mas a ditadura da mídia ao nos impor um tipo físico ideal, muitas vezes fictício. Exige-se, especialmente das mulheres, uma magreza extrema, muito próxima da desnutrição. Qualquer outro animal nesse nível de magreza será considerado doente; só dos humanos se cobra esse extremo doentio.

Às vezes fico imaginando... Quem estipulou esse conceito de beleza? Não sei e duvido que alguém saiba. Mas deve ser alguém muito magro, com muito poder para influenciar as pessoas. Acho que os entendidos em beleza feminina são os homens, mas ao conversar com meus amigos não vejo ninguém que ache tão bela essa magreza absoluta. Lembro-me do ex-embaixador Roberto Campos. Certa feita, estando ele em Hollywood, indagou a um amigo americano: “por que os artistas trocam tanto de mulher?” E seu amigo lhe respondera: “eles vão de caveira em caveira à procura de um pouco de carne...” Isso reflete muito do que os homens pensam das mulheres extremamente magras.

Quando vejo as modelos metidas em seus famosos manequins 34, desfilando pelos palcos do mundo, penso com meus botões: “Para quem desfilam?”, muitos já responderam: “para as mulheres e para os editores das revistas femininas, não para os especialistas, ou seja, para os homens.”
Muitos dirão: “isso é conversa de gordo”. Talvez seja...


Luiz Carlos Martins de Morais
luizcarlosmorais1@hotmail.com

Fonte: www.leticialuccheze.com





Receba novas postagens por e-mail, cadastre-se!
ATENÇÃO! "Algumas informações e sugestões contidas nesta página são compartilhadas de outros meios de comunicação, bem como blogs, sites, jornais e revistas impressas. As dicas têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento de médicos, nutricionistas, psicólogos e outros especialistas."


COMPARTILHAR ESTE POST

Share








ÚLTIMAS POSTAGENS








PUBLICIDADE

Featured

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE