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A saúde mental das pessoas acima do peso


A suposta preocupação com a saúde física de pessoas gordas, que vem em comentários invasivos e críticos, esconde uma negligência com potencial devastador – a total falta de sensibilidade com a saúde mental de quem é alvo de deboche sobre seu corpo e seus hábitos alimentares.



Os movimentos sociais que falam sobre a gordofobia – um sistema estrutural que discrimina pessoas gordas de diversas formas – têm crescido e levantado a voz contra a forma como a sociedade enxerga e trata quem não é magro. Infelizmente, os prejuízos causados à saúde mental dessas pessoas são um tema ainda pouco abordado.

Mesmo que não percebam, muitas pessoas fazem afirmações gordofóbicas, geralmente alegando que o problema não está na estética, mas sim que apenas se preocupam com a saúde de quem é gordo. Ao contrário do clichê, no entanto, a suposta preocupação com a saúde física de pessoas gordas, que vem em comentários invasivos e críticos, esconde uma negligência com potencial devastador – a total falta de sensibilidade com a saúde mental de quem é alvo de deboche sobre seu corpo e seus hábitos alimentares.

A ativista Gizelli Sousa é uma das vozes contra a gordofobia mais ativas na rede. Com um blog voltado para discussões sobre o tema, Souza enfrenta preconceitos de todos os lados – afinal, até o movimento feminista possui dificuldade para compreender as pautas específicas das mulheres gordas e repensar o lugar de privilégio de quem é magra. “Naomi Wolf, em ‘O Mito da beleza’, disse que a dieta é o sedativo político mais poderoso na história das mulheres. O foco no corpo feminino, na beleza e em manter-se dentro dos padrões aceitos pela sociedade, são formas de manter as mulheres sob controle. Além da discussão da beleza, há também a questão da acessibilidade e da emancipação financeira, uma vez que é cada vez mais comum que empregadores rejeitem pessoas gordas. Com tudo isto, está claro que se o feminismo busca a igualdade de direitos, oportunidades e justiça para as mulheres, a gordofobia precisa ser analisada sob a ótica feminista”, introduz Sousa.

Para ela, no entanto, o problema da gordofobia é um grande responsável pela destruição da saúde mental das mulheres. “A gordofobia afeta, sobretudo, a saúde mental das pessoas gordas. Viver em uma sociedade que nos é hostil obviamente é um fator que causa sofrimento e, consequentemente, angústia, ansiedade, pânico. Não são raros os casos de pessoas que se afastam de amigos, parentes e familiares, que evitam o contato social e que deixam de sair por se sentirem inadequadas”.


Ser gorda ou não ser, ninguém perguntou pra você


Porém, Gizelli chama atenção para o paradoxo do comportamento da sociedade na relação com a saúde das pessoas gordas. “O irônico é que pessoas comuns, que não são médicos nem cientistas, estão sempre fiscalizando a saúde do gordo. Porém, essas pessoas, muitas vezes completamente desconhecidas, que se dizem consternadas pelo estado de saúde da pessoa obesa, são as primeiras a esquecerem que existe a saúde física e a saúde psicológica. A saúde psicológica da pessoa gorda nunca é levada em consideração, sobretudo na infância e adolescência. Constantemente, vejo as pessoas falarem em reforço positivo para as crianças, mas, no tocante às crianças gordas, acho que a maior parte delas se acostuma a ouvir apenas críticas e ofensas. Conheço casos de pessoas que sofreram bullying gordofóbico na escola e dentro de casa desde muito cedo.”

Os perigos desses ataques são muito agudos: “Isso afeta completamente a percepção que o indivíduo tem de si mesmo, muitas vezes as pessoas passam a se odiar. E conseguir alterar isso é um processo muito longo e complexo. É facílimo encontrar notícias de pessoas que foram ofendidas por alguém em determinado ponto da vida e, a partir daí, passaram por todo tipo de dieta e procedimentos para emagrecer dezenas de quilos e ‘dar a volta por cima’”. Para Sousa, as matérias sensacionalistas que a mídia exibe, mostrando “ex-gordas” que decidiram emagrecer após sofrerem humilhações, mostram um lado distorcido da moeda, já que a razão do emagrecimento é, na maioria das vezes, causa da gordofobia, de uma agressão; é uma máscara colocada sobre algo negativo que deveria ser combatido e não estimulado. “Outro fator que é muito esquecido é que às vezes a pessoa gorda começa a emagrecer e recebe muitos elogios e incentivos; contudo, nem sempre esse emagrecimento vem de forma saudável. Existe essa imagem formada de que pessoas com transtornos alimentares como a bulimia são sempre magras. Nem sempre – muitas mulheres gordas sofrem silenciosamente de transtornos dessa natureza”, alerta.

“Na minha opinião, perder 30 quilos é mais fácil do que aprender a amar a si mesmo, quando todos ao redor tratam a pessoa com desprezo ou condescendência”, afirma Sousa. Infelizmente, relatos de mulheres que resolveram emagrecer, mas que também buscam na luta contra gordofobia a problematização necessária para compreender as vivências de agressão pelas quais passaram, também têm muito a concordar com a ativista Gizelli Sousa. Uma dessas mulheres é M. P., feminista, que prefere não se identificar. Na experiência de M. P., a gordofobia causou danos profundos à sua saúde mental. Hoje, após ter emagrecido com o auxílio da cirurgia bariátrica, a artista plástica de 31 anos busca refletir sobre essas questões e afirma que, agora magra, percebe as facilidades que quem é magro possui em sociedade. A entrevista que concedeu, na íntegra, pode ser lida abaixo:

Revista Fórum – Como foi sua experiência com a cirurgia bariátrica? Por que decidiu fazê-la?

M. P. - O que me levou a decisão foi o cansaço. O físico pelas limitações crescentes do meu corpo: as dores, o inchaço, a fadiga, a impossibilidade de fazer coisas normais – como esportes de aventura, viagens longas, sair pra dançar, caminhar uma quadra sem sentir dor e exaustão. E o psicológico, esse muito maior, porque ser mulher e gorda na nossa sociedade é extremamente exaustivo. Somos vigiadas e julgadas o tempo todo: observam se as roupas que usamos escondem nossos corpos errados pra não causar repulsa nos outros, observam se estamos comendo coisas que engordam em público, observam se estamos ocupando “espaço demais” nos lugares públicos, se não estamos chamando muito a atenção, se não estamos “querendo demais” pra mulheres gordas. Sabemos disso por causa dos olhares de nojo, de desaprovação, pelos risos, pelos cochichos e também porque algumas pessoas se sentem no direito de falar abertamente sobre isso, como se não fosse uma agressão enorme, uma invasão. E existe um paradoxo: ao mesmo tempo em que somos observadas o tempo todo, somos também invisíveis. É como se, por sermos gordas, não tivéssemos o direito de ter voz pra dizer o que quer que seja, de reclamar das coisas, de exigir tratamento digno, de dar opiniões. A vontade e a opinião da mulher gorda tem muito menos valor do que a da mulher magra (sei disso agora porque experimentei os dois extremos). Você fala algo e aquilo não tem valor porque você é gorda (além de mulher, claro, e imagino que seja ainda pior se a mulher for negra, trans, com deficiência). Viver assim, com essa sensação de não ter direitos, de não ter espaço, não ter importância, me levou a um estado de exaustão insuportável. Eu sabia que não conseguiria emagrecer se não fosse através da cirurgia, porque eu já tinha tentado de tudo, então escolhi operar.

Fórum – Foi difícil conseguir laudos e suporte para a realização da cirurgia bariátrica?

M. P. - Imaginei que fosse encontrar dificuldades em relação à autorização do meu plano de saúde, já que minha obesidade era grau II e eu não tinha problemas de hipertensão ou colesterol, por exemplo, mas bastou um laudo comprovando as complicações vasculares que tenho nas pernas. Passei por todas as etapas necessárias, como avaliação endocrinológica e psicológica, e fiz a lista enorme de exames exigidos. Aqui entra uma parte que é surreal, ridícula e exige paciência e foco: provar que se é gorda o suficiente pra operar. É uma situação absurda, mas apesar de a gordofobia estar super presente nos ambientes relacionados à cirurgia bariátrica (afinal, a gordura é vista como doença, sendo a cirurgia um modo de cura), também existe essa pressão para que as pessoas não operem por “preguiça” de emagrecer com dieta e exercícios, como se a cirurgia fosse simples, fácil e indolor. De qualquer modo, acho que um dos laudos mais importantes é o psicológico, porque a cirurgia tem um pós-operatório longo e complicado e as mudanças, tanto no modo de vida quanto na relação com o corpo, são enormes.

Fórum – O que mudou na sua vida depois de ter feito a cirurgia e perder peso? O que se tornou mais fácil fazer?

M. P. – Infelizmente a resposta é: melhorou muito. Eu estava realmente com problemas físicos de locomoção e, agora, com pouco mais de um ano de operada, me sinto 80% livre deles. Faço exercícios aeróbicos, musculação e fisioterapia, por conta da perda muscular que a cirurgia causa, mas não tenho mais nenhum impedimento físico e consigo fazer tudo que quero. Antes de operar eu ficava sem fôlego simplesmente ao colocar roupas no varal e hoje consigo sair da academia, passar no supermercado e ainda voltar pra casa a pé, carregando compras, sem problemas e ainda conversando. A mudança foi realmente positiva, no meu caso.


Guarde seus pensamentos sobre o meu corpo pra si mesmo

Fórum – Quando você era gorda, quais eram suas maiores dificuldades no aspecto de acessibilidade?

M. P. – A mudança é enorme também: eu sinto como se agora pudesse relaxar. Antes eu me preocupava com a possibilidade de uma cadeira quebrar sob o meu peso, por exemplo. Tinha que calcular se podia e se devia sentar nos lugares. Meu quadril era muito grande e eu tinha medo de entalar em cadeiras estreitas com braços. Também sentia muita dificuldade em lugares como filas ou salas de espera lotadas, já que não existem assentos pra pessoas obesas, e esperar muito tempo em pé era um martírio. Lugares com muitos degraus, ou degraus muito altos também me desencorajavam, porque eu tinha medo de me desequilibrar e cair – e uma mulher gorda caindo no chão é sempre motivo de riso pros outros, o que me dava muito medo. Passar em locais estreitos me deixava ansiosa, porque eu achava que ia entalar, ou esbarrar em tudo, nas pessoas, sair arrastando tudo e eu tinha muito medo de ser apontada, humilhada… A gente sabe que o pensamento das pessoas é “olha lá a gorda fazendo coisa de gorda”, né. Até saltar uma poça de água vira fonte de medo, porque se é uma mulher magra que cai, ela é uma coitada – se é uma gorda, é uma ridícula. E por aí vai.

Depois que emagreci a sensação, infelizmente, é a de liberdade, porque eu não me preocupo mais com nada disso. Sei que as cadeiras não vão quebrar sob meu peso, sei que se eu cair as pessoas vão simplesmente me ajudar a levantar. É muito triste perceber que o mundo não é feito pra acolher pessoas gordas, e nem quer acolher, na verdade. Emagrecer me trouxe alívio na mesma medida em que me trouxe desesperança, porque eu não queria que o mundo fosse assim e não queria que as pessoas precisassem emagrecer pra sentir essa liberdade. Estou feliz com a minha escolha, mas queria que as pessoas que escolhem não emagrecer se sentissem livres também.

Fórum – Como você avalia a sua saúde mental e seu estado emocional e psicológico antes da cirurgia?

M. P. - Na verdade, meu estado mental antes era péssimo, totalmente sem perspectivas e esperança. Quando decidi procurar um cirurgião, incentivada por uma amiga que também operou, eu estava me sentindo no fundo do poço. Meu peso estava aumentando sem controle, por mais que eu controlasse a alimentação, e eu já estava incapacitada para a maioria das coisas, além da minha autoestima estar simplesmente destruída. Eu quase não saia de casa – pelo desgaste físico e principalmente pelo desgaste psicológico. Eu sentia que não tinha direito de estar no mundo, sentia que não tinha direito a nada simplesmente por ser gorda. É claro que eu não concordo com isso, mas conseguir pensar racionalmente é uma coisa, e sentir é outra. Eu havia reproduzido muita gordofobia antes de conhecer o Feminismo, mas nessa época minha visão em relação a corpos gordos já tinha mudado muito e era de beleza, de poder, de aceitação – só que eu nunca consegui aplicar isso a mim mesma. Buscar a cirurgia, inclusive, despertou em mim o medo de estar sendo hipócrita e ver algumas feministas apontando dedos pra quem operava reforçou esse medo. Eu sabia que estava fazendo a única escolha que poderia salvar minha vida, mas ao mesmo tempo sentia muita culpa e também não queria que meninas gordas pensassem que essa era a única opção – era a única apenas no meu caso.


Você é linda. Você é maravilhosa. Você é inteligente. Não importa o que digam sobre seu corpo sobre suas atitudes. Sobre você? Você é você, os outros não tem nada a ver.

Fórum – E depois da cirurgia? Você consegue perceber mudanças e identificar os motivos de sofrimento?

M. P. - Depois da cirurgia, passei por várias fases, tudo muito rápido e confuso. Ainda sentia muita culpa, sentia medo do fracasso, de que a cirurgia não desse certo e de que eu não aguentasse a pressão externa caso isso acontecesse, me sentia confusa sobre ter ou não o direito de falar sobre gordofobia… Ou seja, eu não deixei de me sentir extremamente insegura em relação a como o mundo reagia a mim, não deixei de sentir que tudo que eu fazia ou falava era errado ou inadequado só porque estava emagrecendo. Tive que refletir muito e por muito tempo pra entender que as marcas que a gordofobia deixou são profundas e não vão sumir jamais, e continuam afetando cada ação que tomo ou como me sinto em relação a mim mesma e ao mundo, ainda que hoje em dia eu seja lida como uma mulher “magra” e reconheça que vivo com muito mais liberdade e visibilidade social.

Minha vivência como mulher gorda não vai ser apagada porque emagreci; faz pouco tempo que entendi isso e me convenci de que posso, sim, falar sobre, posso ser feminista e ter decidido emagrecer. No entanto, fico triste porque percebo que até mesmo essa segurança em afirmar que posso falar sobre gordofobia tem raízes na perda de peso e no empoderamento que isso me trouxe. Então, embora eu esteja me sentindo muito melhor tanto fisicamente quanto psicologicamente, de novo a sensação geral é a de tristeza e desesperança. Tanto meu sofrimento quanto meu empoderamento são frutos da maneira gordofóbica com que a sociedade é construída e entender isso me deixa muito chateada.

Fórum – A forma como as pessoas agem em relação ao seu corpo – as que te conheceram gorda – mudou?

M. P. - A gordofobia continua atingindo quem emagrece, apenas de maneiras ligeiramente diferentes. Quem foi gorda e emagreceu, não importa como, sempre vai ter gente em volta ‘tomando conta’ para que ela não volte a engordar, vigiando se come coisas “erradas”, se parou de se exercitar, se dá qualquer sinal que interpretem como comportamento “de gordo”. A patrulha não acaba nunca. Além disso, existe também o controle sobre as consequências do emagrecimento: flacidez e estrias. As pessoas não tem o menor pudor em perguntar se tem pele sobrando, se os peitos caíram, se você vai fazer cirurgia plástica, como ficaram as estrias. É normal que eu mencione a cirurgia e as pessoas olhem automaticamente pros meus braços, pra checar se tem pele solta. A patrulha não vai acabar nunca.

Fórum - De que forma a gordofobia te fez mal emocionalmente e psicologicamente?

M. P. - A gordofobia destruiu a minha vida. Comecei a ter “sobrepeso” quando era criança e, ainda que não fosse muito, as pessoas próximas me tratavam como uma pessoa errada, deformada, preguiçosa, que não conseguiria nada se não emagrecesse, que não merecia nada sendo gorda. Nada do que eu era conseguia se sobrepor ao meu peso excessivo, não adiantava ser inteligente ou ser boa e outras coisas, acima de tudo eu era gorda. Entrei na adolescência já obcecada por emagrecimento e com as certezas de que eu não merecia ser feliz por não ter um corpo perfeito e de que minha vida só ‘começaria de verdade’ quando eu fosse magra. Fiz as dietas mais absurdas, passei por um período de anorexia, fazia exercícios demais sem acompanhamento e, finalmente, comecei a tomar remédios pra emagrecer – tudo isso sem ao menos ter peso para ser medicamente considerada obesa e antes dos 18 anos. Em um período da vida em que eu deveria estar desenvolvendo os múltiplos interesses que sempre tive, deveria estar me descobrindo e me divertindo, o que me dominava era a angústia e o sentimento de inadequação – sempre reforçados a cada dia por comentários gordofóbicos vindos de todos os lados e pela pressão da mídia.

Pessoas próximas da minha família sempre tinham dicas de emagrecimento pra me dar, com aquelas desculpas clássicas de saúde e preocupação com meu bem estar – embora nunca ninguém tenha mencionado minha saúde mental. Isso tudo acabou com minha autoestima de uma maneira irreparável, a ponto de eu aceitar relacionamentos amorosos e amizades que eram de um modo ou de outro abusivos, apenas porque eu achava que era aquilo que eu merecia, se muito. Viver assim me levou a ter transtornos psiquiátricos ligados a ansiedade e comportamos autodestrutivos, entre eles a compulsão por doces, o que, ao longos dos anos, me levou a obesidade real e me trouxe ainda outros problemas físicos. A gordofobia me levou a ficar gorda, de certo modo, e eu entrei em um processo circular onde a gordofobia acabava gerando aumento de peso e o aumento de peso piorava a ação da gordofobia – e isso tudo fazia com que eu só me odiasse mais e mais a cada dia.

Fórum – Como você avalia a postura da mídia e da sociedade diante da saúde mental das pessoas gordas? Por que há tantas matérias exaltando grandes emagrecimentos sem que seja citada a razão que levou ao emagrecimento, ou seja, o sofrimento causado pela gordofobia?

M. P. - A mídia não se importa nem um pouco com a saúde mental de quem é gordo, mas nem um pouco mesmo. A postura deles é de reforço da opressão e apenas isso. Nunca li um texto ou vi uma matéria sequer na grande mídia que me ajudasse – pelo contrário, perdi a conta das crises depressivas e autodestrutivas que tive, desencadeadas por matérias e programas televisivos. O único apoio midiático que encontrei pra lidar com a gordofobia foi em textos de blogs feministas e isso é muito recente.

O problema não é seu corpo. O problema são os outros. Você é linda!


Essas reportagens exaltando perda de peso como exemplo de superação machucam demais, porque é como se elas esfregassem na cara de quem é gordo que o emagrecimento é apenas questão de esforço e vontade, o que não é verdade, e também que emagrecer é o único objetivo correto que um gordo pode ter, o que é simplesmente absurdo. O foco é sempre na suposta saúde física e, quando se fala em saúde mental, é sempre no sentido de reafirmar a gordofobia. Admitir a gordofobia como a causa primária do sofrimento de pessoas gordas, em especial das mulheres, seria como revelar um segredo de mágica, porque ela nada mais é do que uma ferramenta de controle do patriarcado e do capitalismo. Eles não vão admitir o truque a menos que tenham um melhor pra colocar no lugar. Eu não acho que isso vá mudar a menos que a gente faça muito barulho e busque abrir os olhos de cada vez mais pessoas para o quão destrutiva a gordofobia é e para o quão absurdo e corrosivo é continuar a reproduzi-la.

Fórum – Que mensagem você gostaria de deixar para outras pessoas que sentem que emagrecer é a única alternativa para aliviar o sofrimento causado pela gordofobia?

M. P. - Primeiro, que elas não precisam se sentir culpadas por acharem que emagrecer é a única solução pra se ter alívio e liberdade no mundo gordofóbico em que vivemos. Nossa vivência já é dolorida demais sem essa culpa e podemos rejeitar ela. Segundo, que é possível, sim, decidir emagrecer e ao mesmo tempo lutar contra a gordofobia como sistema de opressão, justamente pela vivência que temos. Terceiro, que a decisão de emagrecer ou não é pessoal e deve ser respeitada por todos, qualquer que seja ela, e que devemos exigir esse respeito na base do grito, se necessário. E, por último, que elas não estão sozinhas.


Por Jarid Arraes | Revista Forum





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