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Perseguição às pessoas gordas é grande — mas a luta continua




Foto Reprodução: http://lardmeister.deviantart.com

Há um pouco mais de um ano, um destes idiotas da internet decidiu que valia a pena atormentar a mim e ao meu parceiro de negócios, Viri Lieberman. Tudo começou por causa de nosso documentário, ‘Fattitude’, que expõe como nossa cultura está cheia de ódio contra pessoas que estão acima do peso. Este idiota em questão (que não merece publicidade alguma, então permanecerá anônimo), atiçou seus 5.000 seguidores contra nós. Pouco depois, fomos inundados por cartas, e-mails e telefonemas violentos. Havia ameaças de estupro e de morte. As pessoas até enviavam pedidos aleatórios de comida para nossas casas (uma piada, mas realmente sem graça).

Eu costumava ser uma garota divertida e cheia de alegria. Em pouco tempo, me tornei o tipo de pessoa que tem um taco apoiado contra a porta, spray de pimenta na bolsa e um olho sempre vigilante em toda a minha vizinhança. Eu me senti violentada e amedrontada.


Por Lindsey Averill - Refinery29 | Via: Yahoo Vida e Estilo Internacional




(Foto: Lindsey Averill)


Os problemas de ser gordo em um mundo que cultua a magreza, são muitos. Há injustiças claras, desigualdades e preconceitos bem documentados. Há também o lixo social interiorizado e o ódio que carregamos conosco.

Eu sempre fui gorda. Em alguns momentos, meu peso variou um pouco, mas nunca estive dentro do “padrão”. Eu sei, em primeira mão, o que significa ser julgada o tempo todo. Precisamos trabalhar mais para provar nosso valor. Quando crianças, somos perseguidas. Durante anos, eu consumia 400-800 calorias por dia e ninguém se importava. Desisti de muitas coisas antes mesmo de tentar, porque mesmo sabendo que era inteligente e talentosa, não acreditava que alguém iria contratar, confiar, seguir ou amar uma pessoa gorda. Durante décadas, fiz dieta e torci para conseguir mudar.

Enquanto fazia meu PhD, aos 30 anos (cercada por um mar de filosofia feminista), finalmente me dei conta de que não preciso engolir todo o ódio e a negatividade que o mundo lança sobre minha gordura corporal. Eu posso abrir meu próprio caminho, tratando meu corpo com o respeito que ele merece. Eu posso nutri-lo com sentimentos positivos e posso me tornar uma revolucionária apenas por gostar de mim.

Quando tive este despertar, resolvi compartilhá-lo. De repente, me senti senhora do meu próprio domínio, e queria que outras pessoas também se sentissem assim. Eu queria mostrar a todos que estavam cercados pelo ódio, que eles podiam seguir um caminho diferente, independente do seu peso.

Eu via outras pessoas gordas na rua e pensava que poderia aliviar o fardo delas! Elas ainda seriam gordas, mas também poderiam se sentir mais livres e felizes! Mas você não pode simplesmente chegar para um estranho na rua e dizer, "Oi, gordo. Está se sentindo para baixo?"

Em vez disso, Viri e eu decidimos fazer um filme: ‘Fattitude’. Visto que nossos métodos de filmagem não eram exatamente os mais profissionais (era mais como filmar na casa da mãe, ou algo do tipo), nós apelamos para a magia do crowdfunding, a fim de tirar nosso projeto do papel. Foi quando o mundo desabou e os telefonemas ameaçadores começaram.

Quando você pergunta às pessoas se é uma boa falar mal do corpo de outras pessoas, elas sabem a resposta correta. Todo mundo sabe isso é errado. E mais: quando você mostra dados que comprovam que a gordura anda de mãos dadas com outros tipos de injustiças, como aquelas relacionadas à cor da pele, as pessoas ficam horrorizadas e dizem que as coisas precisam mudar. Logo depois, elas vão para a casa rir das piadas de gordo que contam na TV.

Existe uma estranha desconexão em nossa cultura. A aversão universal aos gordos é tão forte que abafa o nosso senso de certo e errado. Nós dizemos tratar todas as pessoas com respeito. Mas estes valores se perdem facilmente nas piadas, jargões e no preconceito inconsciente.

Então, o que fazer? Deixar aqueles que praticam bullying ganhar? Se deitar em posição fetal e se distanciar do mundo? Não. Isso não é uma opção. Em vez disso, você acaba rosnando, esbravejando e abrindo seu caminho na marra, até encurralá-los no outro canto da sala. (Essa metáfora é muito violenta para mim. Eu prefiro atacá-los com glitter, beijos e arco-íris, mas você entendeu a ideia). Então, alguns dias depois que começou nosso tormento, eu procurei a mídia. Ao contar a minha história, eu revidei. Levantei a voz e disse: “Isto não é aceitável."

O certo não é dar abrigo ao garoto que está sofrendo bullying, é fazer aquele que o está praticando, reconhecer o delito e reeducá-lo. Não se deve aceitar que as pessoas são más, que por isso agem como agem, e não há nada que você possa fazer sobre isso. VOCÊ PRECISA IR À LUTA. Mudar o sistema. É preciso acordar todas as manhãs, vestir sua armadura e ir para o combate. Vale a pena lutar por um mundo melhor, mesmo debaixo de tantas ameaças.

Meu corpo é um problema meu e de mais ninguém.

Já faz um ano, e ainda recebemos mensagens de ódio. Mas também recebemos cartas de amor — elogios sinceros, que alegam que o trailer de cinco minutos do ‘Fattitude’ tem tornado a vida de algumas pessoas mais fácil. Às vezes, quando estou no shopping ou em algum evento social e vejo outra pessoa gorda, agora sei como chegar até ela e iniciar uma conversa. Talvez isso não mude as coisas do dia para a noite, mas eu acredito que o ‘Fattitude’ fará diferença para alguns. E, eventualmente, eu acho que "alguns” já é uma quantidade muito grande.

Pode me chamar de esperançosa; não me importo. Eu não tenho grandes ilusões de que a cultura mudará de repente e que as pessoas gordas irão despertar para um mundo de alegrias porque serão todas tratadas com o respeito que merecem como seres humanos. Mas tenho fé nas pessoas, e acredito que, um dia, elas perceberão que é errado tratar as pessoas que estão acima do peso como elas têm sido tratadas hoje. Quando o mar se acalmar, eu serei uma daquelas que remou contra a maré o tempo todo. Eu serei uma das vozes que estavam no lado certo da história.





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